Depoimentos |
* Luís Sucupira, escritor: "Padre Cícero era possuidor de elevada cultura para seu tempo, tendo adquirido um lastro bem sólido de conhecimentos intelectuais, como ótimo aluno que foi de História, Geografia e Teologia no Seminário de Fortaleza". |
* Cândido Mariano da Silva Rondon, militar: "O Padre Cícero tem palestra interessante de letrado. Fala com fluência sobre História, Literatura e Política, discreteando sobre a vida nacional, cujas tricas conhece palmo a palmo". |
* Phillip Von Luetzelberg, naturalista: "Padre Cícero é um homem que dispõe de instrução e saber invulgares. Aborda com igual facilidade a política e a história brasileira; tem conhecimentos profundos de história universal, ciências naturais, especialmente quanto à agricultura". |
* Amália Xavier de Oliveira, educadora e escritora: "Os assuntos de suas palestras eram sempre edificantes; jamais uma conversa fútil e muito menos leviana". |
* Amália Xavier de Oliveira, educadora e escritora: "O que foi possível fazer o Padre Cícero fez: fundou algumas escolas particulares, gratificando, do próprio bolso, alguns professores quando as mensalidades recebidas não cobriam suas despesas com a manutenção. Em 1896, por iniciativa do Padre Cícero, foi instalada a escola feminina, sob a regência da Professora Isabel Montezuma da Luz. O Orfanato Jesus Maria José, iniciado nesta cidade em 1916, teve como fundador o Padre Cícero, coadjuvado por Joana Tertuliana de Jesus. O fim desta instituição que ainda hoje existe funcionando com as mesmas finalidades, foi amparar as crianças do sexo feminino, pobres e órfãos, dando-lhes uma educação adequada capaz de lhes garantir viver honestamente, quando pela idade ou outras circunstâncias tiverem que deixar a tutela da entidade de sua formação. A Associação dos Empregados do Comércio de Juazeiro, fundada no dia 3 de julho de 1926 sob os auspícios do Padre Cícero, desde a sua fundação teve como objetivo principal a instrução primária dos sócios e de seus dependentes". |
* Azarias Sobreira, sacerdote e escritor: "Não é de hoje que se vem dizendo, ordinariamente com segundas intenções, ser o Patriarca de Juazeiro um obscurantista, figadal inimigo da alfabetização do seu povo. Se, entretanto, nos dermos ao paciente esforço de tirar a limpo essa tese sustentada com indisfarçável ênfase, esbarraremos em ilações diametralmente opostas. É que contra fatos a mancheias não podem prevalecer argumentos. Bem ao contrário do que se tem dito, às vezes de oitiva, o Padre Cícero viveu sempre idealizando a felicidade e, portanto, a alfabetização de sua gente, na maior escala possível. Apenas se fixou em Juazeiro, embora ali já funcionasse uma escola, andou dando aulas particulares a um ou outro rapazito que lhe pareceram com alguma aptidão e gosto para aprender". |
* Fernandes Távora, médico, político e escritor: "O meu ilustre amigo Lourenço Filho afirma que não pôde conseguir a boa vontade do Padre Cícero no sentido de incrementar a instrução primária em Juazeiro. Eis outro paradoxo aparente, só compreensível e explicável pelos que conheceram intimamente os homens e as coisas daquela terra. Padre Cícero sempre amou a instrução e desejou vê-la difundida em sua cidade, como poderão dar testemunho diversos moços que, a expensas dele, se educaram desde a escola primária até os cursos superiores. Se não atendeu ao esforçado e digno Diretor da Instrução Pública do Ceará, terá sido por causa estranha à sua vontade". |
* Neri Feitosa, sacerdote e escritor: "Padre Cícero fez as duas coisas: instruiu e educou seu povo. Quanto à instrução, o Padre Cícero fez de Juazeiro um modelo". |
* Antônio Teixeira Junior, jornalista: "Padre Cícero preocupou-se com escolas a ponto de no seu testamento legar todos os seus bens aos Salesianos, com a condição de esses religiosos construírem um colégio". |
* Fernandes Távora: "Padre Cícero era um homem de ótimas qualidades morais, e estas nunca deixaram de manifestar-se no decurso de sua vida patológica: não esqueceu velhas amizades; dava esmolas; educava, por sua conta, grande número de moços pobres...". (Depoimento de 1961). |
* José Leite Maranhão, psiquiatra e professor: "O Padre Cícero teve uma personalidade normal, o seu psiquismo foi hígido e equilibrado com raro poder de autocrítica e inteligência. Sei que é temeroso avançar esta afirmação, numa espécie de perícia póstuma, para juízo dos homens cultos, à luz da ciência e da sociologia. É todavia, um dever de quem o conheceu de perto e acompanhou a sua projeção na história, restabelecer a verdade numa visão histórica serena e científica à luz da psicologia e percepção sociológica. Posso, pois, afirmar: o Padre Cícero não é paranóico. Como definir a personalidade do Patriarca? Dentro da classificação biopatológica de Kretschmer, aliás da escola alemã, o Padre Cícero é um ciclóide, biótipo admiravelmente caracterizado na sua organização psicossomática, e na confluência dos fenômenos sociais, políticos e religiosos que o envolveram. O Padre Cícero não é paranóico. Talvez não se deve dizer, nem mesmo para exaltar a obra que ele realizou e legou à posteridade de uma grande cidade, um grande povo...". |
* Antônio Teles, médico e escritor: "Inimigo político, de longa data, do Patriarca, a quem, muitas vezes, atacou ferozmente pela imprensa, até injustamente, como ele próprio reconhece, e outrora partidário fanático do Coronel Franco Rabelo apeado do poder pelos bacamartes dos romeiros do Padre Cícero, o sr. Fernandes Távora jamais lhe perdoou a deposição do seu antigo chefe e atirou-lhe, por isso, a pecha de paranóico, como um ajuste de contas póstumo. O diagnóstico de paranóia não se coaduna com o comportamento do Padre Cícero, todo ele balizado pelos princípios evangélicos da humildade, da abnegação e do amor ao próximo". |
* Abelardo F. Montenegro, advogado, professor e escritor: "Padre Cícero não era um paranóico, um megalomaníaco ou um paciente digno de um consultório psicanalítico. Mas, sim, um psicólogo que conhecia perfeitamente o meio e o homem do sertão". |
* Manuel Diniz, advogado, educador e escritor: "Heresiarca por que, se Padre Cícero jamais deixou de obedecer até mesmo ao zelo inexplicável dos seus superiores?". |
* José de Medeiros Delgado, arcebispo e escritor: "Padre Cícero teve mil oportunidades para ser um heresiarca e não o foi. Pôde erguer o estandarte do cisma e não o fez". |
* Ayres de Montalvo, escritor: "Padre Cícero foi o maior líder natural que já deu o nosso povo. Um líder verdadeiro a cuja influência bem pouca gente pôde ficar indiferente: ou o amava ou o odiava". |
* Napoleão Tavares Neves, médico e escritor: "Padre Cícero foi, inquestionavelmente, um grande líder popular e religioso, líder realmente carismático, com uma extraordinária visão do futuro e uma ímpar capacidade de prever para tentar prover". |
* Neri Feitosa, sacerdote e escritor: "No Brasil, não consta que alguém já tenha tido uma liderança maior e mais duradoura que a do Padre Cícero". |