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Permitam-me a imodéstia. A história que vou relatar é uma verdade e não uma simples versão.
Como tudo na vida tem começo, meio e fim, vou pela ordem cronológica dos fatos.
No início de 1967, fomos entrevistar o recém eleito prefeito de Juazeiro do Norte, o talentoso médico Dr. Mauro Sampaio. |
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A primeira foto aérea do monumento na Serra do Horto. 23/09/69 (foto Targino).
Numa noite de quinta-feira, fomos à casa do Armando para ver o protótipo.a primeira dama Dayse Sampaio, Doutor Mauro, Maria dos Remédios e eu. Uma surpresa! Armando havia optado para erguer uma estátua de 12 metros e não 7 metros. O modelo do protótipo media 1,20 m, Esse modelo foi presenteado ao Doutor Mauro. O passo seguinte era arranjar um local adequado para iniciar a montagem do modelo da estátua. Um amplo galpão. O velho armazém da antiga usina de algodão da P. Machado, na rua São Paulo esquina com São Francisco, foi o escolhido e aprovado. O corretor de imóveis o conhecido Jaime Magalhães foi o responsável por essa transação.
Durante a construção da modelagem da estátuas Armando Lacerda tomou uma decisão surpreendente. O modelo foi redimensionado para ter 17 metros, fora base, e não mais os 12 metros imaginados anteriormente.
O engenheiro Rômulo Ayres Montenegro ficou encarregado de realizar os cálculos de engenharia da base e da estátua. O resultado foi além do esperado e o Doutor Mauro inaugurou o monumento no início de novembro de 1969. Um ano antes, em dezembro de 68 não pude resistir a um convite irrecusável do Grupo J.Macedo, na pessoa de Darci Costa, para assumir a direção de projetos especiais do jornal Gazeta de Notícias de Fortaleza. No dia a 1° de Novembro de 1969, durante a inauguração do monumento, por nossa iniciativa, a Gazeta fez circular uma edição histórica,antecipadamente vendida, de 25 mil exemplares em homenagem a esse fato extraordinário.
VINTE E TRÊS ANOS DEPOIS...
A Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, por Ofício n° 1485/92, de 5 de junho de 1992, subscrito pelo Presidente Raimundo Cabral e pelo 1° Secretário Raimundo de Sá e Souza, nos comunica que, por unanimidade, a Resolução 101 de 4 de junho de 1992, a pedido do ilustre Secretário Raimundo Sá e Souza, havia sido aprovada, a outorga da Medalha Honra ao Mérito Padre Cícero, pelos relevantes serviços prestados pelo jornalista Aldemir Sobreira, incluindo a idéia do brasão e da bandeira de Juazeiro, a criação do nome Romeirão e a idéia do monumento do Padre Cícero.
Requerimento dos vereadores Francisco Vieira da Silva, Francisco Teles de Menezes, Pedro Orlando Alves de Alencar, Marcos de Matos Sampaio, Agnaldo Carlos de Souza, Francisco José Pinheiro Neves, João Batista Menezes Barbosa, Francisco Gualberto Brandão, José de Almeida Duarte Pereira, Antônio Gonçalves Duarte e Pedro Bandeira Pereira Caldas.
16 ANOS APÓS RECEBIDO O OFÍCIO DA CÂMARA...
Após completar dezesseis aninhos do recebimento do Ofício 1485/92,de 05/06/92, ainda não tive o prazer de ver a cor dessa medalha. Espero que ela não esteja enferrujada!
O brasão e a bandeira de Juazeiro do Norte, a nosso pedido, foram elaborados pelo professor Arcinoe Peixoto de Faria da Enciclopédia Heráldica Municipalista de S.Paulo.
O Brasão

* [Do lat. Herma, ae < Hermês,
'Hermes', o deus grego correspondente ao Mercúrio dos romanos.]
S. f. Escult.
1. Hermes (2): &
2. Busto em que o peito, as costas e os ombros são cortados por planos verticais.
3. Bras. Qualquer meio-busto esculpido, ou estátua aplicada a um plinto.
[Pl.: hermas. Cf. erma e ermas, do v. erma, e erma (ê), ermas (ê), flex. de ermo (ê).]
Bandeira

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Chegamos à sua casa, à rua Santa Rosa, às 14:00 h e de lá saímos a 01:00 h da manhã, com um farto material para publicação em nosso jornal Tribuna de Juazeiro. Até aí nada demais, tudo legal, mas o fato extraordinário é que recebi um convite que me marcou profundamente. O doutor Mauro me convidou para integrar a sua equipe administrativa na função de Secretário.
Fiz-lhe ver que era uma honra, mas constrangedor para mim aceitar essa responsabilidade, criando um terrível embaraço para dona Sinharinha Granja, uma velha amiga e à época uma espécie de patrimônio da Prefeitura.
Mauro não aceitou a recusa e dias depois, orientado pelo inesquecível Edvard Teixeira Férrer, seu assessor jurídico, ratificou o convite e afiançou-me que tinha resolvido o meu caso. Dona Sinharinha continuaria.
Fui, então, nomeado, Diretor de Turismo e Diretor de Relações Públicas do Município cumulativamente.
Aceitei. Havia uma lógica. Seria um trabalho árduo dado o pioneirismo das duas funções. E, sobretudo, um desafio à nossa criatividade...
Semanas depois o doutor Mauro recebeu uma visita de uma comitiva religiosa, liderada por um um frei, cujo nome não vem ao caso.
A razão dessa visita era pedir ao prefeito para não me efetivar como integrante da equipe, pois, segundo ele, o senhor Aldemir era tido e havido como esquerdista e um perigoso subversivo agitador.
Dona Sinharinha Granja e o Dr. Edvard Teixeira Férrer, duas testemunhas desse risível episódio, contaram-me que o Dr. Mauro teve uma atitude digna de um mestre:
- Padre, não costumo pedir atestado de ideologia dos meus assessores. E deu por encerrada a audiência.
Mauro me confirmou o episódio. Rimos muito e viramos a página.
Sem nenhuma verba no orçamento municipal para aquele ano e somente com um engenho e arte conseguimos nos nove primeiros meses vender a imagem do novo Prefeito para a mídia cearense que o consagrou como o prefeito de Ouro.
Mauro estava dando um banho como administrador. Uma imensa quantidade de pequenas obras atendiam aos anseios dos juazeirenses: Desde escolas municipais, recuperação de calçamentos, mercados e postos de saúde. O grande tocador das obras de Mauro era um gigante silencioso: Gumercindo Ferreira Lima.
De prefeito de ouro até o melhor prefeito do ceará, foi uma questão de tempo....
Certo dia, no início da sua gestão, Mauro deu-me uma carona e durante o trajeto até a prefeitura me disse que um beato havia dado uma sugestão para construção de uma herma lá no Horto. Seria uma forma de homenagear o Padre Cícero...
- O que você acha disso?
- Que herma*, que nada Doutor Mauro! Meu "padim" merece mais do que um simples busto lá no Horto. Vamos construir é um monumento! Você tem todas condições para realizar uma obra capaz de ser um ponto de referência da gratidão do povo de juazeiro ao seu grande benfeitor; mais do que um projeto turístico de grande envergadura, capaz de eternizar na memória regional a gratidão dos juazeirenses e de todos os romeiros... Estava tão entusiasmado com a idéia que quase fiz um discursos!
- É muito caro!
- Que nada Mauro, quanto a isso, o Gumercindo Ferreira tira de letra. Na base da administração direta.
- Você tem quem faça o projeto?
- Ainda não, mas isso é fácil. Na próxima viagem a Fortaleza, vamos atrás de um escultor e está tudo resolvido. Você vai ver... Não conseguimos encontrar nenhum escultor disponível em Fortaleza.
Nesse meio tempo aconteceu um fato interessante. A Faculdade de Filosofia do Crato estava organizando uma Exposição de Artes Plásticas e fomos convidados pelo seu Diretor, professor José Newton Alves, para integrar a comissão julgadora, juntamente com as professoras Maria dos Remédios (minha mulher) e Sílmia Sobreira. Ao final da abertura da exposição tivemos a oportunidade de adquirir uma das obras premiadas: O primeiro lugar , Um quadro de Abrão Batista, retratando o Cristo. (ainda hoje presente em minha sala de visitas e aqui ilustrando essa crônica.)
Quando estávamos na fila para adquirir uma outra peça premiada. Uma estátua da Mulher Rendeira, saindo da própria almofada, muito original.
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Uma apressada senhora furou a fila e adquiriu a obra. Cheguei diante do escultor laureado sorrindo.
- E duro ser cavalheiro! Perdi a chance de adquirir a sua mulher rendeira e quando já ia me retirar, caiu a ficha.
- Você seria capaz de construir uma estátua, um monumento?
- É minha praia. Meteu a mão no bolso interno do seu paletó e retirou um maço de fotos: Monumento do Jegue de Patos, Monumento do Vaqueiro, etc,etc...
- Você acaba de ser intimado para construir o monumento do Padre Cícero lá em Juazeiro!
E o talentoso artista plástico, o pernambucano, Armando Lacerda representante comercial da Cinzano, construtor de monumentos por esse Nordeste, rindo aceitou a incumbência e brindamos com um uísque do doutor José Newton promotor daquele evento
Chico Bento, empresário de transportes e amigo do Armando, prontificou-se em levá-lo a Juazeiro, na segunda-feira, às 14:00 h.
Comuniquei a Mauro e a Gumercindo e ao Dr. Edvard que tínhamos encontrado o homem para tornar realidade o monumento do Padre Cícero.
Quando Armando Lacerda chegou à prefeitura, já vinha com uma proposta definida em mente. O monumento teria 7 metros de altura, fora a base... Um assombro! Acertou os detalhes da matéria prima, um barro preto lá de Barbalha, para construção do protótipo, e o Chico Bento tratou de assessorar o Armando para levar a matéria prima até à sua casa no Crato. |